Os furtos de fios de cobre, cabos e equipamentos de energia elétrica, telefonia e transmissão de dados dispararam 30% em Minas. O crime que desafia as forças de segurança interrompe serviços essenciais à população, causa prejuízo às empresas e pode matar quem se arrisca na rede de alta tensão.
Dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), indicam 14.136 furtos em 2025, contra 10.893 em 2024. Em Belo Horizonte, a tendência de alta também se confirmou, embora em ritmo menor. A capital registrou 2.950 furtos de fiação em 2025, aumento de 11% em relação aos 2.636 casos do ano anterior.
Para o advogado e criminólogo Jorge Tassi, o cenário é impulsionado pela valorização do cobre e pelo que ele considera “falta de organização da fiação aérea”. Segundo o especialista, o cobre tornou-se “ativo tangível altamente desejável” pelos infratores, com o valor de mercado girando entre R$ 30 e R$ 32 o quilo.
Fios desativados e desorganizados nos postes
O especialista aponta que há “grande quantidade” de fios desativados e desorganizados nos postes, dificulta a fiscalização e facilitando a ação de criminosos. Segundo Tassi, o cenário atrai infratores e gera riscos diretos à segurança da população, com fios soltos nas ruas que podem causar acidentes de trânsito e ferir pedestres.
“Como esse material está muito disponível, automaticamente fica muito difícil para o poder público fazer a fiscalização. Os fios estão largados por todas as estruturas da cidade. Certamente, se você caminhar um pouco, vai se deparar com o fio solto”, disse o criminólogo.
Lei endurece, mas crime continua
Desde julho de 2025, a lei para os furtos de fios e equipamentos de transmissão de energia e dados passou a prever penas de dois a oito anos de cadeia – o dobro da legislação anterior. O mesmo vale para a receptação (quem compra o material furtado para vender).
Apesar do endurecimento da lei, Tassi avalia que o aumento das penas é insuficiente. O especialista sugere que o Executivo organize a fiação elétrica para retirar cabos não utilizados dos postes.
“O fato de simplesmente punir é o Estado lavando as mãos para a situação caótica dos postes. O correto seria organizar uma atividade técnica para que o levantamento e a retirada de cabos obsoletos fossem feitos de forma lícita, gerando emprego e segurança”.
O que diz a polícia?
A Cemig informou que substituiu todo o cabeamento da fiação aérea de cobre por alumínio, para não atrair “a atenção dos infratores devido ao baixo valor de mercado” do material.
Segundo a Polícia Civil, a atuação vem sendo reforçada em todo o Estado para combater o furto, roubo e a receptação de fios e cabos de energia. “Além do trabalho investigativo, que têm como alvo envolvidos efetivamente na prática desses crimes, as operações resultaram na desarticulação de quadrilhas e prisões”.
