Com a definição do segundo turno na disputa à Presidência da República, os partidos do Centrão iniciaram nesta terça-feira (6) a negociação dos apoios a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). O cenário, por enquanto, é de cautela por parte dos congressistas, mas a expectativa é que a maioria das siglas se posicione a favor do candidato do PL.
Integrantes do PP, PSD e União Brasil entendem que é preciso aguardar o posicionamento das lideranças antes de declarar apoio a Flávio Bolsonaro ou a Lula. A percepção desses partidos mudou após o resultado do primeiro turno.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou que os eleitores voltarão às urnas em 25 de outubro. No domingo (4), com 96,78% das urnas apuradas, Flávio Bolsonaro tinha 47,39% dos votos contra 44,74% de Lula. Com a totalidade dos votos (100%) apurada, o candidato do PL somou 47,03%, e Lula, 45,16%.
Ao terminar na frente, Flávio Bolsonaro reconfigurou um cenário de neutralidade, e alguns desses grupos devem apoiar o bolsonarista. Um deles é o PSD. O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado foi candidato da sigla nas eleições e formalizará, nesta terça-feira (6), o apoio a Flávio Bolsonaro.
Ainda que o PSD tenha liberado sua base no primeiro turno para que os políticos apoiassem Lula ou Flávio Bolsonaro conforme as alianças estaduais, o grupo da direita espera que esse apoio seja majoritário para o candidato herdeiro do capital político bolsonarista na segunda etapa do pleito.
Lula tentará angariar o apoio de outras frentes do Centrão, mas a tendência é que o PP e o Republicanos também embarquem na campanha do PL. Se no primeiro turno as duas siglas não fizeram um movimento de apoio, agora Flávio Bolsonaro espera conseguir que parte importante dos dois partidos entre na campanha.
Tanto o PP quanto o Republicanos tiveram ministros no governo Lula, mas não demonstraram apoio ao petista antes do primeiro turno. O Republicanos tem hoje como uma das principais lideranças o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que já afirmou ter como objetivo conduzir Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto.
O único empecilho no caso do Republicanos é o presidente da Câmara, Hugo Motta (PB). Lula apoiou o pai do deputado, Nabor Wanderley (Republicanos), na disputa ao Senado, o que reforçou os laços entre Motta e o petista.
Por conta disso, o coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, senador Rogério Marinho (PL), disse que o apoio do Republicanos está “quase fechado, com algumas dissidências”. De acordo com ele, o partido ainda terá conversas com o presidente do Republicanos, Marcos Pereira, para as definições.
“Conversamos durante as eleições, e logo após o resultado nós conversamos. Ao longo da semana teremos uma conversa. Quase que a unanimidade do Republicanos pelo país, com algumas dissidências, notadamente na Paraíba, mas a maioria do partido tende a ficar conosco”, afirmou Marinho.
Já o PP marcou uma reunião para esta terça-feira com presidentes de diretórios estaduais, deputados e senadores para definir o apoio no segundo turno. O encontro na Câmara dos Deputados pode, por tabela, definir também o apoio do União Brasil a Flávio Bolsonaro, já que os dois formam uma federação e devem seguir o alinhamento político nesses cenários.
O MDB, por sua vez, deve manter uma posição de neutralidade e liberar os apoios de acordo com as alianças estaduais. Apesar de o partido não ter sinalizado formalmente um apoio, em gravação, o ex-presidente Michel Temer disse que a sociedade busca “novas ideias, novas atitudes, novos projetos e um caminho diferente” e que Flávio Bolsonaro representaria essa ruptura.
Para entenderem as tendências eleitorais e definirem apoio, os políticos têm usado plataformas internacionais de “mercado de previsões”, onde apostadores negociam suposições com dinheiro real — geralmente em criptomoedas — sobre a probabilidade de eventos futuros ocorrerem.
Depois do primeiro turno, essas plataformas ampliaram a vantagem de Flávio Bolsonaro. Esse cenário também mudou a percepção de parte dos políticos, que entendem ser “estratégico” apoiar o candidato que está em vantagem neste momento. Pesquisas recentes também indicam que Flávio Bolsonaro venceria Lula no segundo turno, influenciando a decisão de partidos como o Centrão.
