A devastadora avalanche no norte do Nepal, na fronteira com o Tibete chinês, matou pelo menos 270 pessoas, informou a polícia nepalesa nesta quinta-feira (27/8) ao divulgar um balanço atualizado. A imprensa estatal da China informou três mortos em seu território, elevando o total provisório para 273.
Equipes de resgate procuram nesta quinta-feira 1.300 desaparecidos. Um vídeo registrado por uma câmera de segurança, gravado do lado chinês, mostra como, na manhã de quarta-feira, uma avalanche de lama e destroços engole um prédio de vários andares, enquanto dezenas de pessoas correm para evitar a tragédia. A enxurrada arrastou ônibus e carros com facilidade.
A avalanche de água e lama, semelhante a um tsunami, foi provocada pelo colapso de uma geleira, que foi de tamanha violência que foi registrado como um “evento sísmico” de 5,2 graus de magnitude, segundo o Instituto Geológico dos Estados Unidos (USGS).
A enxurrada varreu, no Nepal, o vale do rio Trishuli, no distrito de Nuwakot, ao norte de Katmandu, e o vale do Bhote Koshi, ao leste da capital.
Do outro lado da fronteira, a imprensa estatal chinesa informou que o balanço pelo “deslizamento de lama” que atingiu o porto tibetano de Gyirong é de três mortos. Também citou 558 desaparecidos, incluindo 260 estrangeiros, mas não revelou suas nacionalidades.
O nepalês Raju Bhadel, 56 anos, contou que recebeu uma ligação de seu cunhado, que estava desesperado. “Estavam chorando e disseram que sua casa havia sido destruída. Três membros da família foram resgatados, mas o irmão dele continua desaparecido”, contou.
Povoados destruídos
As equipes de resgate avançavam com dificuldade nesta quinta-feira através da lama e dos escombros nas áreas afetadas em busca de sobreviventes, depois que a avalanche soterrou os andares inferiores de prédios de vários pavimentos.
Subash Khatani disse à AFP que estava procurando o irmão. “Ele está entre os desaparecidos do distrito de Rasuwa, por isso saímos para procurá-lo”, declarou.
O diretor no Nepal da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV), David Fisher, fez um alerta sobre a dimensão da catástrofe e afirmou que “povoados inteiros e áreas de mercado foram destruídos”.
O governo dos Estados Unidos prometeu uma ajuda de 500.000 dólares (2,5 milhões de reais).
Especialistas advertiram que um bloqueio persistente em um rio na fronteira entre o Nepal e a China pode causar uma nova inundação.
“Como ainda há um bloqueio na parte alta do rio fronteiriço entre o Nepal e a China, as autoridades alertam que pode acontecer uma segunda inundação”, explicou à AFP Qianggong Zhang, diretor de riscos climáticos e ambientais do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas (ICIMOD), com sede em Katmandu.
Vídeos divulgados pela polícia nepalesa registraram como a água da enchente subiu por um dos rios e destruiu casas inteiras pelo caminho, enquanto imagens da AFP mostram o andar superior de uma casa emergindo do solo lamacento.
O Exército nepalês realizou diversos sobrevoos na área e resgatou dezenas de pessoas, enquanto outras que viviam em áreas de risco perto do rio receberam ordens para deixar estes locais.
O presidente chinês, Xi Jinping, afirmou que “a tarefa mais urgente é fazer todo o possível para buscar e resgatar as pessoas desaparecidas”, segundo a imprensa estatal.
O Dalai-lama disse nesta quinta-feira que reza por todas as vítimas e pediu “medidas de ajuda adequadas”. O líder espiritual do budismo é considerado por Pequim um rebelde e separatista, após fugir do Tibete para o exílio em 1959, depois que tropas chinesas reprimiram um levante na região.
As chuvas de monção, de junho a setembro, costumam provocar inundações e deslizamentos de terra mortais em todo o sul da Ásia. Segundo cientistas, as mudanças climáticas aumentam a intensidade e frequência desse tipo de fenômeno meteorológico extremo na região.
