A repórter Alice Ribeiro, de 35 anos, da TV Band Minas, morreu nessa quinta-feira (16), em Belo Horizonte. Ela estava internada no Hospital João XXIII após ser vítima de um acidente entre um carro e um caminhão na BR-381, na Região Metropolitana da capital. A colisão ocorreu na quarta-feira (15) e também causou a morte do cinegrafista da emissora, Rodrigo Lapa.
A jornalista tinha uma carreira consolidada e era apaixonada pela profissão. Na descrição no LinkedIn, ela conta sobre a trajetório e o sonho de infância de cursar jornalismo. Leia na íntegra
”Sou filha da Juju e do Rogério. Irmã do Bê, o cara mais genial desse mundo.
Com a cabeça sempre na lua e em rotação de jato, a organização das minhas ideias sempre se desenvolveu através da escrita. A leitura me acalmava. Ouvir e contar histórias modulava tanta agitação. Em 33 anos, morei em sete cidades, com sotaques e culturas completamente diferentes. Vida de nômade que foi me moldando e hoje carrego cada pedacinho dessas culturas na minha personalidade. Acabei me viciando na sensação de liberdade, de começar de novo quantas vezes fosse preciso.
Em 2010, realizei o sonho de infância de entrar na faculdade de jornalismo, ainda com a ideia altruísta de mudar o mundo. E, olha só, acreditando que me encontraria no impresso, longe dos holofotes. Se acreditasse em acaso, diria que foi sem querer que fui parar em uma emissora de TV logo no primeiro estágio. Em cinco anos, passei pelas três maiores emissoras de Minas. Desde então, estar com a cara estampada na TV passou a fazer parte de 90% do meu currículo, mas os outros 10% também foram essenciais para a construção da profissional que eu sonhava em me tornar.
Em 2020, me mudei pra Brasília e, logo depois, entrei na Band e minha apaixonei de novo pela minha área. Fui repórter, apresentadora, editora, fechei jornal e vivi experiências inesquecíveis na capital do país. A falta da família e do frango com quiabo fez com que eu decidisse voltar pra casa e fui recebida de braços abertos pela Band Minas.”
Carreira na TV
A jornalista passou por importantes emissoras como o Grupo Bandeirantes de Comunicação, onde atua desde 2021 (como repórter-âncora em Brasília até 2024 e, desde então, como repórter em Belo Horizonte), além da Rede Bahia (2019–2020) e da Record TV (2018–2019).
Ao longo da carreira, acumulou experiência em TV e rádio, exercendo também funções de produção, edição e apresentação. Iniciou sua formação prática em grandes redações, com estágios no SBT (2011–2012), TV Globo (2012–2013) e TV Record Minas (2014–2015), além de atuar como produtora em projetos audiovisuais entre 2016 e 2018.
O acidente
O acidente aconteceu em Sabará, quando a equipe de reportagem retornava de uma entrevista. Rodrigo Lapa, que dirigia o veículo, teve a morte confirmada ainda no local da batida. A repórter foi encaminhada para o Hospital João XXIII ainda na tarde de quarta (15), em estado grave.
Ela teve um traumatismo craniano confirmado e ficou sob observação durante 24 horas — prazo considerado crucial após um acidente do tipo.
Segundo a Polícia Rodoviária Federal, o carro teria invadido a contramão e colidido de frente com o caminhão, possivelmente após o motorista passar mal ou dormir ao volante.
O trecho é considerado perigoso, com alto índice de acidentes. O caminhoneiro afirmou que tentou evitar a batida, mas não conseguiu.
Morte encefálica
A morte encefálica de Alice foi confirmada na noite desta quinta (16), conforme nota divulgada pela Band Minas. Segundo o Ministério da Saúde, a condição é a perda completa e irreversível das funções encefálicas cerebrais, que são as atividades vitais e cognitivas comandadas pelo encéfalo — divididas entre o córtex, responsável pelo pensamento, memória e movimentos voluntários, e o tronco encefálico, que comanda a respiração e batimentos cardíacos, por exemplo.
Quando a morte encefálica acontece, a respiração não acontecerá sem ajuda de aparelhos e o coração não baterá por mais de algumas poucas horas.
Doação de órgãos
A família da jornalista Alice Ribeiro autorizou a doação de órgãos.
O procedimento será conduzido pela MG Transplantes e deve beneficiar pacientes que aguardam na fila. Serão doados rins, fígado, pâncreas e córneas; o coração não pôde ser transplantado por inviabilidade clínica.

