O vice-governador Mateus Simões (PSD) assumiu o Executivo estadual nesse domingo (22). Ele substitui Romeu Zema (Novo), que renunciou ao cargo para se dedicar ainda mais à pré-candidatura à Presidência da República. Simões, no entanto, encontra um cenário de forte pressão e indefinições.
A cerimônia de posse foi marcada por protestos na porta da Assembleia Legislativa (ALMG). Servidores da saúde, educação e meio ambiente se reuniram para criticar a gestão anterior e cobrar a abertura de canais de diálogo. Segundo representantes sindicais, o governo Zema não priorizou a valorização salarial nem o contato direto com as categorias.
A onda de greves que atinge setores essenciais será um dos principais desafios de Simões. Os profissionais da educação completam duas semanas de “braços cruzados”, reivindicando reajuste de 41,83% nos salários para cobrir perdas acumuladas desde 2019. O índice é consideravelmente superior aos 5,4% oferecidos pelo governo ao funcionalismo público.
Na área da Saúde, a paralisação dos servidores da rede Fhemig já gera impactos diretos na população. Mais de 30 cirurgias eletivas foram adiadas desde o início da greve, na última terça-feira (17).
A categoria cobra recomposição salarial e melhores condições de trabalho, transferindo agora para Simões a responsabilidade de negociar o fim do movimento.
Na semana passada, Mateus Simões afirmou que não pretende ceder à pressão do funcionalismo nem ampliar o reajuste anunciado pelo Estado. Segundo ele, o aumento de 5,4% já representa o limite possível dentro do orçamento.
Entrega de hospitais regionais
O novo governador herda também o gargalo na conclusão dos hospitais regionais. Das seis unidades prometidas por Zema na campanha de reeleição em 2022, apenas duas tiveram as obras finalizadas até março deste ano: Teófilo Otoni e Divinópolis.
O cronograma de abertura das internações em Teófilo Otoni está previsto apenas para o período entre abril e maio. Em Divinópolis, a expectativa é para junho. Outras obras, como as de Sete Lagoas e Governador Valadares, ainda dependem de meses de intervenção, enquanto uma das promessas originais (Juiz de Fora) foi descartada.
Indefinição de chapas na direita em Minas
No campo político, Simões assume o Palácio Tiradentes em meio a um racha na base de apoio à direita. O novo governador tenta se consolidar como o nome para a sucessão, mas enfrenta resistência e divisões internas. Partidos aliados, como o Republicanos, já sinalizam apoio à candidatura do senador Cleitinho Azevedo ao governo.
O cenário fica mais complexo para Simões com a movimentação do Partido Liberal, que pode lançar um palanque próprio na disputa eleitoral pelo assento do Palácio Tiradentes.

